quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Modelos e Critérios de Ação Pastoral

Julio A. Ramos, Teologia Pastoral.
Biblioteca de autores Cristianos, Madrid, 2006,  pág. 101-146


Pastoral é ação da Igreja continuadora da missão de Cristo, Bom Pastor. Neste sentido, surgem os modelos de ação pastoral para responder a realidades concretas. Modelos que nunca são completos e fechados e que se complementam mutuamente. E para podermos perceber se uma determinada realidade é ou não uma ação pastoral temos de ter em conta uma chave de leitura que nos é dada através dos diferentes critérios de ação pastoral, que devem estar presentes em todas as ações da Igreja.
 
 
Modelo Tradicional
(ação litúrgica)
Modelo Comunitário
Modelo Evangelizador
(“Nova Evangelização”)
Modelo Libertador
Situação a que corresponde
Atua num mundo sociologicamente cristão. Cristianismo visto como um dos meios normais para o desenvolvimento e crescimento do homem propiciando consequências para a vida da Igreja:
Uma preocupação exclusiva pela vida interior; uma segurança de elementos adquiridos por osmose na cultura ambiental e um reconhecimento social que facilitava à Igreja a execução das suas ações.
Massificação colocada pelo modelo tradicional, que levam a novas configurações sociológicas e originam a perda do substrato sociológico sobre a qual assentava a comunidade paroquial e a pastoral anterior, bem como, uma Igreja redescoberta como comunhão.
Cristianismo sociológico que não revela uma autenticidade de fé e a descrença como uma caraterística cultural.
Teoria da Libertação que compreende a ação pastoral como libertação daquilo que escraviza o ser humano.
Ideias Eclesiológicas base
Igreja vista como sociedade perfeita;
 
Auto compreensão da Igreja estratificada em figura piramidal.
Conceção da Igreja como mistério de comunhão que tem a sua origem no mistério de Deus;
 
O povo de Deus que descobriu o caráter; profético, sacerdotal e real de todos os membros da Igreja que vem pelo batismo fazendo de todos participantes da missão e por isso agentes da vida pastoral.
A missão como autentificação de comunhão;
 
A sacramentalidade da Igreja que a faz significativa para o mundo e para a qual é compreendida como sacramento de salvação.
Conceção  sacramental de eclesiologia onde a Igreja é compreendida como sacramento de união entre Deus e a humanidade;
 
A eclesiologia das Igrejas locais, que vê em cada diocese o lugar onde a Igreja surge na sua plenitude;
 
A distinção clara entre Igreja e Reino, onde a Igreja deve estar ao serviço do Reino;
 
O diálogo com o mundo.
Planeamento Pastoral
Cura animarum realizada fundamentalmente através da sacramentalização.
Edificação da Igreja com base na pequena comunidade para toda a Igreja como comunhão de comunidades.
Segunda Evangelização para todos, uma reevangelização dos cristãos e uma autêntica iniciação cristã que sirva para uma fé madura e autêntica.
Tomar consciência da situação social em que se exerce a evangelização e transformá-la de modo a que o anúncio da salvação seja eficaz.
Ação Pastoral
Fundamentalmente ações de culto sacramental;

A ação catequética é entendida desde a sua relação com os sacramentos;
 
A pastoral da palavra que tem como objetivo fundamental levar os homens à receção dos sacramentos;

A vida comunitária tende a assegurar a prática e a receção dos sacramentos;

A Caridade entendida frequentemente de um modo assistencial.
A comunidade tenta ser um sinal vivo de salvação no meio da comunidade humana;

As comunidades nos seus momentos de unidade dedicam muito tempo à evangelização dos seus membros;

A liturgia comunitária é geralmente própria;

A participação de todos os membros na vida da comunidade é um dos pilares deste modelo;

A vida comunitária potencia ministérios, tanto ordenados como laicais;

A ação pastoral é edificada conjuntamente por toda a comunidade.
Iniciação cristã séria que inclua a celebração autêntica dos sacramentos de iniciação;

Potenciação da missão tendo em consideração aqueles que se encontram mais alheios à vida da Igreja;

Promoção da participação do laicado;

Promoção de movimentos apostólicos como evangelizadores;
 
Participação em locais e plataformas de progresso;

Presença pública da Igreja;

Nova espiritualidade a partir da vida à missão através dos sinais dos tempos;
 
Atenção à religiosidade popular;
 
Fortalecimento e conversão das instituições temporais cristãs.
Catequese como fonte de toda a práxis libertadora;
 
O povo de Deus assume a missão de transformar a sociedade e fazer do evangelho a força libertadora;
 
A Igreja é evangelizadora e evangelizada, pois o evangelho é recebido na mesma medida em que transforma quem o recebe;
 
Pastoral libertadora faz opção preferencial pelos pobres;
 
Liturgia em estreita conexão com o ideal de libertação, pois Cristo é o caminho para a salvação.
Critérios
(presença)
Continuidade da missão de Cristo (Teândrico e Sacramental)
Continuidade da missão de Cristo (Teândrico e Sacramental);

Caminho para o Reino (Historicidade, Abertura aos sinais dos tempos e Universalidade);

Presença e Missão no mundo (Missão).
Continuidade da missão de Cristo (Teândrico e Sacramental);

Caminho para o Reino (Historicidade, Abertura aos sinais dos tempos e Universalidade);

Presença e Missão no mundo (Diálogo, Encarnação e Missão).
Continuidade da missão de Cristo (Teândrico, Sacramental e Conversão);

Caminho para o Reino (Abertura aos sinais dos tempos e Universalidade);

Presença e Missão no mundo (Diálogo, Encarnação e Missão).




2 comentários:

  1. Olá Ana, gostei muito da tua tabela, sucinta e organizada. Bom trabalho e parabéns.

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  2. Concordo, boa síntese! Agora vemos como avaliar e analisar a ação pastoral...

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