domingo, 18 de outubro de 2015

Síntese da abordagem histórica da Teologia Prática


Casiano Floristan, Teologia Practica. Teoria e Praxis de la Accion Pastoral,
Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998, pág. 31-122

Segundo a exegese atual, os evangelhos são documentos nascidos da experiência pascal e pré pascal das primeiras comunidades, assim sendo, são documentos pastorais sobre a vida de Jesus onde se pode entender a práxis de Jesus como ação pastoral paradigmática.
As representações que possuímos de Jesus dependem originariamente da educação cristã familiar, da ação pastoral e da reflexão teológica. Esta reflexão teológica remete para o estudo cristológico que se entende de duas formas: Jesus sendo Logos, ou a humanidade de Jesus.
Para compreender a práxis de Jesus é necessário examinar os modelos do seu comportamento. Jesus não foi sacerdote do templo nem escriba da lei pois viveu transmitindo aos homens a palavra de Deus e entregou a sua vida ao serviço dos irmãos. Ele propôs um culto em espirito e verdade. Por isso, é denominado pelos discípulos de profeta do Reino. Um profeta escatológico que anuncia a vinda próxima do Reino ao qual se adere através da conversão.
A práxis de Jesus é analisada através das suas três ações, nomeadamente, os milagres, o perdão e a comunidade de mesa.
 
Para conhecer a ação pastoral da Igreja primitiva é necessário examinar o NT e ter em conta o contexto histórico e o espaço humano onde se insere a Igreja Primitiva.
O termo ekklesia traduz três realidades: a assembleia litúrgica convocada para celebrar a palavra de Deus, a comunidade local dos cristãos que vivem em determinado local e a Igreja universal de todos os crentes espalhados por todo o mundo. Assim sendo, a primeira comunidade cristã praticava o estudo da palavra apostólica, a comunhão fraterna, a fração do pão e orações. Esta adotava uma estrutura doméstica e fraternal acolhendo todos que se convertem, principalmente os pobres.
A igreja primitiva primeira sofre dificuldades ao nível da inculturação da fé que se dá em diferentes línguas e visões do mundo.
 
A ação pastoral da Igreja possui diferentes conceções ao longo da história. Durante o império romano, a Igreja edifica-se no mundo mediante o Espirito de Deus e no exercício dos diferentes serviços e carismas da comunidade de fiéis. Ela é vista como guardiã e protetora da fé, como “Ecclesia Mater”. Durante a época patrística a Igreja passa a ser a religião oficial do estado e, por isso, o estado intervém na vida da Igreja, desta forma reduz o tempo de catecumenado e não tem preocupação em formar cristãos com vida ascética.
Na época medieval, a Igreja pretende separar-se do Império, no entanto, chega a um juridicíssimo excessivo e a uma conceção de papado demasiado preocupado com o poder. A imagem de “Ecclesia Mater” dá lugar à imagem de “Ecclesia Regina”.
Como resposta ao protestantismo, durante a época moderna, realiza-se o Concílio de Trento com intuito de realizar uma reforma pastoral e dogmática profunda.
A ação pastoral da eclesiologia pós-tridentina é centrada na diferenciação mais do que na integração, preocupando-se em defender e preservar os católicos das heresias e do protestantismo. No final do século XIX o Estado volta a ter influência na religião e com isso surgem novos métodos pastorais que se preocupam só com a vida espiritual.
 
Segundo Cassiano Floristan até que a Teologia Pastoral se definisse como teológica, eclesiológica e prática, passaram-se cerca de duzentos anos. Ela teve uma primeira abordagem no IV sínodo de Latrão, ainda que não denominada dessa forma. Posteriormente e graças à reforma pastoral do Concílio de Trento, são editados alguns manuais. Nesta época a teologia prática era vista como teologia casuum. No entanto, a Teologia Pastoral só nasce como nova disciplina em 1774, por decreto da imperatriz austríaca Maria Teresa. Primeiramente é vista como uma arte e não como ciência, ligada a um regime católico absolutista, passando para uma conceção bíblica que reflete acerca do pastor. Ao longo do século XIX a Teologia Pastoral vai-se convertendo pouco a pouco numa doutrina sobre a direção espiritual.
A renovação contemporânea ajudou a entender a Teologia Pastoral através de uma conceção eclesiológica, científica e teológica assumindo-se definitivamente como uma disciplina rigorosa e autónoma.
 
 
 

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