Casiano Floristan, Teologia Practica. Teoria e Praxis de la Accion Pastoral,
Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998, pág. 31-122
Segundo a exegese atual, os
evangelhos são documentos nascidos da experiência pascal e pré pascal das
primeiras comunidades, assim sendo, são documentos pastorais sobre a vida de
Jesus onde se pode entender a práxis de Jesus como ação pastoral paradigmática.
As representações que possuímos
de Jesus dependem originariamente da educação cristã familiar, da ação pastoral
e da reflexão teológica. Esta reflexão teológica remete para o estudo
cristológico que se entende de duas formas: Jesus sendo Logos, ou a humanidade
de Jesus.
Para compreender a práxis de
Jesus é necessário examinar os modelos do seu comportamento. Jesus não foi
sacerdote do templo nem escriba da lei pois viveu transmitindo aos homens a
palavra de Deus e entregou a sua vida ao serviço dos irmãos. Ele propôs um
culto em espirito e verdade. Por isso, é denominado pelos discípulos de profeta
do Reino. Um profeta escatológico que anuncia a vinda próxima do Reino ao qual
se adere através da conversão.
A práxis de Jesus é analisada através
das suas três ações, nomeadamente, os milagres, o perdão e a comunidade de mesa.
Para conhecer a ação pastoral da
Igreja primitiva é necessário examinar o NT e ter em conta o contexto histórico
e o espaço humano onde se insere a Igreja Primitiva.
O termo ekklesia traduz três realidades: a assembleia litúrgica convocada
para celebrar a palavra de Deus, a comunidade local dos cristãos que vivem em
determinado local e a Igreja universal de todos os crentes espalhados por todo
o mundo. Assim sendo, a primeira comunidade cristã praticava o estudo da
palavra apostólica, a comunhão fraterna, a fração do pão e orações. Esta
adotava uma estrutura doméstica e fraternal acolhendo todos que se convertem,
principalmente os pobres.
A igreja primitiva primeira sofre
dificuldades ao nível da inculturação da fé que se dá em diferentes línguas e
visões do mundo.
A ação pastoral da Igreja possui
diferentes conceções ao longo da história. Durante o império romano, a Igreja
edifica-se no mundo mediante o Espirito de Deus e no exercício dos diferentes
serviços e carismas da comunidade de fiéis. Ela é vista como guardiã e
protetora da fé, como “Ecclesia Mater”. Durante a época patrística a Igreja
passa a ser a religião oficial do estado e, por isso, o estado intervém na vida
da Igreja, desta forma reduz o tempo de catecumenado e não tem preocupação em
formar cristãos com vida ascética.
Na época medieval, a Igreja pretende
separar-se do Império, no entanto, chega a um juridicíssimo excessivo e a uma
conceção de papado demasiado preocupado com o poder. A imagem de “Ecclesia
Mater” dá lugar à imagem de “Ecclesia Regina”.
Como resposta ao protestantismo,
durante a época moderna, realiza-se o Concílio de Trento com intuito de
realizar uma reforma pastoral e dogmática profunda.
A ação pastoral da eclesiologia
pós-tridentina é centrada na diferenciação mais do que na integração,
preocupando-se em defender e preservar os católicos das heresias e do
protestantismo. No final do século XIX o Estado volta a ter influência na
religião e com isso surgem novos métodos pastorais que se preocupam só com a
vida espiritual.
Segundo Cassiano Floristan até
que a Teologia Pastoral se definisse como teológica, eclesiológica e prática,
passaram-se cerca de duzentos anos. Ela teve uma primeira abordagem no IV
sínodo de Latrão, ainda que não denominada dessa forma. Posteriormente e graças
à reforma pastoral do Concílio de Trento, são editados alguns manuais. Nesta
época a teologia prática era vista como teologia casuum. No entanto, a Teologia Pastoral só nasce como nova
disciplina em 1774, por decreto da imperatriz austríaca Maria Teresa.
Primeiramente é vista como uma arte e não como ciência, ligada a um regime
católico absolutista, passando para uma conceção bíblica que reflete acerca do
pastor. Ao longo do século XIX a Teologia Pastoral vai-se convertendo pouco a
pouco numa doutrina sobre a direção espiritual.
A renovação contemporânea ajudou
a entender a Teologia Pastoral através de uma conceção eclesiológica, científica
e teológica assumindo-se definitivamente como uma disciplina rigorosa e
autónoma.
Boa síntese...parabéns ;)
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